Helô Sampaio

Aprenda a fazer um arroz de marisco para aproveitar o veranico na terrinha

Eita que esses dias eu estava me sentindo na ‘zoropa’, só faltava uma ‘nevinha’ pra completar o quadro. Até cobertor de lã eu usei (fazia ‘uma cara’ que eu não tocava neles. Já estava pensando em doar pra asilo). Todo mundo sabe que as quatro estações em Salvador se resumem a duas: sol e chuva. Mas só para pirraçar, tivemos uns quatro a cinco dias com temperaturas mais baixas, com um friozinho pela madrugada. Amei! Só não deu tempo achar um ‘cobertor de orelha’, mas fica para o próximo friozinho, quando me prepararei para ir à caça.

Ainda estou esperando chegarem os turistas para o ‘veranico’ de julho. Terra boa, a nossa, que tem turista para o verão, veranico, chuvica, friozinho, friaca, tem pra todo gosto, pra toda ‘estação’. Estar na Bahia é estar de férias, seja com que tempo for. Nós, baianos, somos uma fonte de prazer, de boa comida, bons de copo, de conversa, mentirinha ou prosa boa. Somos tudo de bom.  

Colé? Tá me achando muito bairrista é, fofo? Me diga, bonitinho, por que é que a turistada quando chega adora a nossa conversa mole, o nosso jeito, nosso sotaque ‘preguiçoso’ e a nossa manemolência (quando é para fazer as coisas em horas de relaxamento)? Tá bom, pai, a gente é meio devagar. Mas, pra que pressa? O tempo segue no mesmo ritmo desde o início do Mundo. Sou eu que vou correr? Vai comer um acarajé, véi - e não tente me tirar da minha rede.

Já basta que tive que sair do meu bem-bom para ir à minha terrinha, Ibicaraí, pra ver a parentada, antes que eu chegue lá e perguntem ‘quem é esta mulé’? Faço a rota do cacau Ibicaraí-Itabuna-Ilhéus, pra beijar e abraçar todos os parentes e amigos. Tem coisa melhor não, cara. Amor e bem-querer são o melhor alimento para a Vida.

Eu me sinto bem quando vejo os queridos amigos de infância e os meus aluninhos, já todos maduros, mas sempre me tratando com um carinho que me enleva a alma, aquece o meu coração. Eu tinha 20 anos quando comecei a ensinar em Ibicaraí e assumi a secretaria-geral do Centro Educacional. Muita ‘responsa’ para uma jovem recém-formada. Mas dei conta do recado. E amei ter vivido essa experiência, que serviu muito na minha vida.

Quando vim pra Salvador, terminei o curso de Jornalismo, fui trabalhar em A Tarde, e logo depois comecei a ensinar na minha faculdade, foi sopa no mel. Já tinha a experiência de Ibicaraí. Acho que, por isso, sempre me dei bem com os meus aluninhos. A propósito, meu primeiro dia de trabalho em A Tarde foi no dia da Volta da Cabocla, 5 de julho. Comemorei 45 anos de profissão – aí incluído o estágio no próprio jornal.

Não esqueço por causa da Cabocla. Fernando Rocha, meu professor, me chamou para o estágio. Quando estou na Redação, já de noitinha, vi os jornalistas correndo para as janelas que davam para a Praça Castro Alves. Quá! Não contei conversa: subi numa cadeira, passei o braço nas costas de dois veteranos para também ver a passagem da Cabocla. Os ‘caras’ estranharam a ‘foquinha’ enxerida. Mas amaram. Eram Silva Filho e Octacílio Fonseca que passaram a ser os meus ‘mestres’, na Redação e na vida. Junto com Fernando Rocha, Zé Curvelo, Milton Chagas e Genésio Ramos formamos uma família. Eles não saíam sem a ‘foquinha’ amadinha. Trem bom é fazer amigos!

E para agradar aos amigos, vamos preparar um arroz de marisco, que a amizade se consolida. Aventais postos, vamos para a cozinha.

Arroz de Marisco

Ingredientes (para 6 porções):
-- 120 g de caranguejo catado, mesma quantidade de ostra, de sururu e de siri catado
-- 200g de camarão sem cascas
-- 600 g de arroz cozido
-- 120 g de cebola e a mesma quantidade de tomate maduro
-- 4 ramos de coentro
-- 1 ½ colher (sopa) de azeite de oliva
-- 1 colher (sopa) de extrato de tomate
-- 3 limões e sal a gosto.

Modo de preparar:

- Catar os mariscos e lavar com o sumo de 2 limões;

- Refogar no azeite de oliva: a cebola, coentro, tomate e o extrato de tomate;

- Acrescentar ao refogado os mariscos, sal, sumo de um limão, e deixar cozinhar por cerca de 15 minutos.

- Após cozidos os mariscos, misturar ao arroz cozido. E saborear dando graças à Vida.