Opinião

Um país tenso

O autor é jornalista

O país caminha mais uma vez em uma encruzilhada, podendo decidir o seu destino, que pode levá-lo ou não a um abismo sem precedentes do ponto de vista institucional, e mais grave, da sua economia, já combalida por um longo período de recessão.
O Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi instado a se pronunciar se manterá ou não o processo contra o presidente Michel Temer, cujo mote foi a delação premiada dos executivos e donos da JBS (a Friboi, como é mais conhecida), espera agora pelo resultado que ateste ou não a autenticidade das gravações que mostra supostos crimes cometidos pelo presidente da República.

 Longe da turbulência, os delatores foram passear em Nova Iorque, especularam no mercado financeiro, e mais recentemente buscaram destinos ignorados dentro ou fora dos Estados Unidos. Nada lhes aconteceu. E isso também está sendo ou será questionado no STF e na Procuradoria Geral da República.

Os ministros do STF, mas o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, estão na difícil e imponderável decisão de dar ou não continuidade ao processo contra o presidente. Enquanto isso não é decidido, o País vive as turbulências nas ruas e nas duas casas do legislativo, que, de alguma forma, tentam dar continuidade aos trabalhos. Em quaisquer das situações, continuando ou não com o processo, os resultados são imprevisíveis, com um grau de tensão institucional alto. 

Com as manifestações nas ruas e pairando sobre o presidente os fantasmas da renúncia ou do impeachment, o País está parado, em estado de tensão e stress, à beira de um colapso. As pautas no Congresso – reformas da Previdência e, Trabalhista – não têm definições de quando e como e se serão aprovadas. E isso porque os próprios congressistas não sabem com certeza quem continuará a governar o País.

Fatos novos continuam a surgir no emaranhado da delação da JBS, que ainda não tornam possíveis quaisquer conclusões, porque não se resumem apenas ao fica ou não fora Temer. Levam a uma encruzilhada em que precisam decidir que caminhos o país vai tomar. Questionamentos como os da autenticidade ou não das gravações, dos benefícios da própria delação em favor dos delatores, da legalidade ou não da abertura de inquérito contra o presidente da República, serão definidos a partir de um posicionamento do Supremo, ainda sem uma definição de data. Mas a partir dessa decisão.

A tensão que se vê nas ruas e nos corredores da Câmara e do Senado, atinge em cheio a economia. O país, depois de mais de dois anos de profunda recessão, culminando com um quadro de mais de 14,3 milhões de desempregados, começava a reagir, com uma inflação em queda e taxa de juros em patamares aceitáveis. Agora volta ao ponto zero.

Pela primeira vez, desde 2014, o saldo entre abertura de vagas de trabalho e fechamento, foi positivo, com mais de 67 mil novos empregos gerados. O termômetro que mede o humor da indústria estava melhorando com o Índice de Confiança do Empresariado Industrial chegando a 53pontos, 16 a mais do que foi registrado em 2016. Agora tudo vira incerteza, trazendo insegurança não apenas jurídica, para as instituições e a economia, mas para o próprio futuro do País.