Opinião

Depoimento e campanha

O autor é jornalista

Não há como dissociar e muito menos ficar alheio e, consequentemente, deixar de comentar. O depoimento do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira, ao Juiz Sérgio Moro, no âmbito da Operação Lava Jato, é o assunto da semana. Uma espetacularização vem sendo preparada por ambos os lados, mas principalmente pelos defensores do ex-presidente, que organizaram caravanas e prometem ocupar Curitiba.

Na última segunda-feira o juiz Sérgio moro, gravou em vídeo, um pedido para que não se façam manifestações e que deixem a justiça trabalhar normalmente. Já tinha adotado, como forma de precaução, o adiamento do depoimento,marcado para o dia 03, logo após as manifestações da greve geral organizada pelas centrais sindicais, e fora orientado pela Polícia Federal a adotar medidas de segurança.

O ex-presidente, ao contrário, procura inflamar a torcida e no último final de semana, durante sua fala no Congresso Estadual do PT, em São Paulo, ameaçou os procuradores da Lava Jato, a imprensa e a própria Justiça, ao afirmar que se não o prendessem agora, poderia vir a prender seus detratores no futuro, isso caso se eleja presidente da República em 2018. A ação resultou em uma nota de repúdio da Associação Nacional dos Procuradores, através do seu presidente, José Robalinho Cavalcanti.

A Operação Lava Jato segue o seu rumo, estando na 40ª fase, e nela o ex-presidente Lula é réu em três processos. Nada mais natural, no decorrer da Justiça, que algum dia ele tenha que ser ouvido. E esse dia, apesar das tentativas de última hora dos seus advogados de defesa de adiamento do depoimento ao juiz Sérgio Moro, chegou. Como os demais réus, terá oportunidade, “tête-à-tête” com o juiz, de fazer sua defesa. Se vai ser ou não condenado, é um jogo de adivinhação que muitos fazem, brandindo argumentos contra e a favor. Mas até prova em contrário, é um resultado imprevisível.

No bojo das discussões, já dá para se antever o clima para as próximas eleições, com o acirramento dos embates entre as chamadas direita e esquerda. A depender dos próximos passos, cujo primeiro será dado nesta quarta-feira, já se pode começar a se desenhar as estratégias eleitorais que serão adotadas daqui para a frente. 

Para os partidários do ex-presidente Lula, existem duas situações. A primeira delas é a de saírem mais fortalecidos, com a manutenção do seu nome como candidato à Presidência da República. Já o Plano B implica na busca desesperada por um nome que o substitua, em caso de desfecho negativo a partir de uma decisão do juiz Sérgio Moro.

Para a chamada direita, e àqueles que se opõem ao ex-presidente, a situação não chega a ser confortável, até porque não se pode antever qual será o posicionamento do juiz Sérgio Moro.O mais difícil, contudo, será aglutinar nomes e correntes ideológicas de forma a definir quais as estratégias para 2018, que ao contrário do calendário, está logo ali na esquina.