Opinião

Causas e Consequências

O autor é jornalista

O Brasil parou e não parou no último dia 28, data marcada pelas centrais sindicais para ser o Dia de Greve Geral, em protesto contra as reformas trabalhista e da Previdência. As causas estão lá atrás, ainda nos governos Lula e Dilma Roussef. Mas as consequências virão no governo Temer.

O país parou porque se criou uma expectativa de que a greve dos trabalhadores iria paralisar a economia, o que não aconteceu. E não parou porque a greve virou manifestações, e como tais, são localizadas – rodovias, terminais de ônibus, agências bancárias, setores do comércio – sem que a sociedade trabalhadora cruzasse os braços.

Em um país que está, nos dados mais recentes do IBGE, com 14 milhões e 200 mil desempregados, os próprios trabalhadores têm como preocupação maior a manutenção do emprego. E quem está sem ele, quer consegui-lo. Daí porque houve, diríamos, uma certa reticência nas adesões à greve geral.

As causas estão lá atrás, nas decisões equivocadas de políticas de governos que colocaram o país no olho do furacão da recessão. A maior da história, onde todos os indicadores econômicos vêm em escala descendente nos últimos meses.

As consequências – Reforma Trabalhista, da Previdência, teto dos gastos públicos – só serão sentidas, mesmo que aprovadas pelo Congresso, alguns anos depois. O processo apenas está começando. Seus resultados são ainda especulativos.

Arriscar dizer quem ganhou – o Governo Temer ou as Centrais Sindicais – é prematuro. Mas para a maioria dos brasileiros, com ou sem os protestos de uma greve geral, prevalece ainda uma realidade de desemprego e de retração das principais atividades da economia.

Os 14 milhões e 200 mil desempregados, são estes sim, que estão nas ruas em protestos silenciosos, mas visíveis, nas filas dos postos de empregos, por enquanto, mais preocupados em conseguirem uma vaga no mercado de trabalho. Depois sim, aí se pensa nas consequências de como serão as novas metodologias advindas da reforma trabalhista, e o futuro da aposentadoria, com a Reforma da Previdência.