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Entrevistas / Política

"Se tiver apoio, serei candidato", diz Zé Ronaldo

Confira entrevista exclusiva à Tribuna da Bahia

por
Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio
Publicada em 17/04/2017 07:33:12

Prefeito de Feira de Santana, o ex-deputado federal José Ronaldo de Carvalho (DEM) declarou, em entrevista exclusiva à Tribuna, que alimenta pretensões políticas para 2018, caso obtenha o apoio necessário para isso. Após desconversar sobre os rumores de que poderia filiar-se ao PP, da base do governador Rui Costa (PT), o democrata relembrou a época em que concorreu ao Senado, em 2010. “Foi uma campanha dificílima, sem materiais totais, mas fizemos uma campanha digna, honrada. Conheço a Bahia toda, lideranças de todas as regiões, me acho em condições de exercer um cargo majoritário. Então, se eu puder disputar um pleito em 2018, não vou esconder, vindo uma candidatura, eu iria com simpatia. Mas não pode ser um desejo meu, não pode ser uma coisa única na minha cabeça.

A vontade eu tenho, mas tenho que ter apoio de grupo, de políticos e da sociedade. Então, se esses apoios surgirem, eu não tenho nenhum receio de enfrentar uma luta”, disse, para emendar: “Se tiver apoio, serei sim, candidato”. Zé Ronaldo também fala sobre as ações que tem empreendido para enfrentar o problema da seca, comenta a boa relação mantida com o governo estadual e ainda avalia a economia e os impactos da Lava Jato na política nacional. “Foram abertos inquéritos contra mais de 200 pessoas.

A abertura de inquérito também dá a oportunidade para as pessoas se defenderem, mostrarem a sua verdade. Mas acredito que com o passar do tempo as pessoas inocentes vão conseguir provar a sua inocência. Mas vale a sociedade tomar conhecimento. Aquele que não provar, aí é com a Justiça. Mas acho também que a política nacional passa por uma grande transformação. A Lava Jato vem dando, ao longo desses anos, uma forte contribuição à política nacional.

Acho que ela vai conseguir mudar a mentalidade de muita gente que está na vida pública e pensa em obter benefício de ordem pessoal. Acho que isso vai ajudar e muito a fazer uma mudança na política, que quando as pessoas participarem da política a vejam como um patrimônio da sociedade, emendou. Confira entrevista completa: 

Tribuna da Bahia – Prefeito, a seca é um problema grave no semiárido baiano, e Feira se insere nela com maior ou menor intensidade. O que tem sido feito para enfrentar esse drama?
Zé Ronaldo –
Na verdade, a seca vem em qualquer lugar, é difícil, complicado. Prejudica tudo, o ser humano na questão do abastecimento, a economia, pois arrecada-se menos. Em Feira de Santana, o abastecimento de água, eu diria que tem 80% da população na zona rural, ela tem serviços de redes permanentes por meio da Embasa. Ao longo dos anos, foram feitos vários investimentos, quer sejam diretamente pela empresa, ou pela prefeitura, ou seja, o município atingiu 80%. Esses 20% ainda são abastecidos por poços artesianos e carros-pipa. Claro que isso também afeta a economia, porque na zona rural você tem vários mercadinhos que contribuem com a economia local, das regiões. Então se tem menos recursos, compra-se menos. Às vezes um mercadinho desses vai fechar, às vezes lá trabalham família e um ou dois empregados. Estamos lutando arduamente para que esses locais que ainda não tenham abastecimento da Embasa passem a ter. Temos construído também algumas aguadas, transformadas em pequenas barragens. Acho que isso vai ajudar em pequenas irrigações para produção de alimentos para o animal. Acredito nisso e estou investindo nessas questões.

Tribuna - A economia nacional teve um grande recuo por conta da crise. Como Feira reagiu?
Zé Ronaldo -
Feira de Santana é uma cidade atípica, só veio a sentir mesmo a crise de um ano e meio para cá. Você vê que algumas casas comerciais fecharam, a abertura de empresas na cidade diminuiu e quase ficou no mesmo ritmo do resto do país. O município tem leis que permitem o incentivo para empresas que querem se instalar. Temos conversado com essas empresas, temos recebido, mesmo com essa crise, empresas do setor atacadista. Outras deram entrada em projetos da prefeitura, e temos lutado para agilizar essas liberações no sentido de proporcionar empregos desde o seu início na construção civil e depois no funcionamento dessas empresas. Temos procurado atrair para fugir dessa crise nacional, mas acredito muito em Feira. A nível do poder público municipal a gente conseguiu manter o volume de obras no município. Recentemente anunciei licitações no valor de R$ 22 milhões, isso é o objetivo de estar gerando emprego, principalmente na construção civil e em pequenas empresas. Recentemente, um grupo empresarial esteve na cidade reativando a ideia da construção de shopping.

Tribuna - O senhor foi presidente da UPB duas vezes, conhece muito bem os problemas municipalistas. Como é o principal gargalo das prefeituras hoje?
Zé Ronaldo -
Quando você tem uma crise econômica, misturada com a crise política, o ente que mais sofre é o município, porque é o menor, o que tem os menores recursos. O governo federal fica com 60% do que arrecada, o Estado fica com 25% e o município com uns 15%. Mas é o município que administra todos os problemas. O cidadão vai na porta do prefeito, no posto de saúde, na escola, pede iluminação pública, limpeza, tudo isso é feito pela prefeitura. O município tem essas dificuldades, e a diminuição das ações e da presença do governo, então, claro que o município sofre, porque a economia local diminui. A sociedade cobra.

Tribuna - Como o senhor vê o socorro que o governo tem dado às prefeituras?
Zé Ronaldo -
Eu desconheço esse socorro. Pelo menos a nível de Feira de Santana esse socorro não existe. Porque não reconheço o recurso da repatriação como um socorro. Aquilo é uma lei que foi aprovada no Congresso Nacional para trazer recursos que estavam lá fora que na luta das entidades municipalistas puderam incluir os municípios. Claro que foi um recurso extra, que entrou no final do ano passado, finalizando um período de governo, mas, fora isso, desconheço qualquer participação mais efetiva nos últimos anos pelo crescimento dos municípios, que lutaram por 1% no FPM. Acho isso muito pouco. Quando foi criado o SAMU, o governo bancava 60%, o Estado 25% e o município, 15%. Hoje as coisas se inverteram. Então claro que isso prejudica a administração municipal porque quando o serviço é implantado, o povo quer que o serviço funcione bem, não quer saber que o recurso é pouco. Acho que essas conquistas foram muito pequenas e que a luta deve continuar. E acho que os municípios deveriam ter uma união mais forte. 


Tribuna - O que fazer para conter o problema da violência na cidade?
Zé Ronaldo -
Isso me incomoda muito. Constitucionalmente, as atribuições da segurança são da União e dos Estados, o município não tem poder para tal, nem capacidade de influir. O máximo que o prefeito pode fazer é conversar, e às vezes a conversa nem é bem-vinda. Falo agora do prefeito de modo geral, saindo da esfera de Feira de Santana. Quando vejo uma notícia que Feira é uma cidade violenta, me abalo muito. Quero dizer que enquanto em outros locais do mundo a segurança é comandada por governos municipais, acho que isso daria uma melhor segurança, mais praticidade. Quando se faz um concurso para PMs, é para repor aqueles que estão indo para a reserva, para a aposentadoria. Então fica aquém das reais necessidades para se fazer a segurança pública.

Tribuna - Muito se fala que o senhor pode passar para a base do governador Rui Costa. Qual a possibilidade disso acontecer?
Zé Ronaldo -
Aprendi ao longo da minha vida a manter uma relação de respeito institucional com as autoridades. Tenho com Jaques Wagner, mantenho com Rui, diria até que temos um relacionamento pessoal bom, de homens e cidadãos, e mantemos realmente uma relação muito respeitosa. E com certeza isso continuará, porque sempre coloquei o interesse da administração pública acima do interesse pessoal. Agora, política nem ele falou comigo nem eu falei com ele. Em nome da Justiça e da verdade, não tratamos desse assunto.

Tribuna - Haveria um início de diálogo entre o senhor e o PP nacional?
Zé Ronaldo -
Não, converso com todo mundo. Tenho um relacionamento com todas as pessoas de todos os partidos que tenham representantes na Assembleia e no Congresso Nacional. Em todos esses partidos tem pessoas que foram meus colegas, alguns colegas como prefeito, então isso facilita a conversa. Se eu disser que não converso com essas pessoas sobre política de 2018, eu estaria mentindo. Converso e vou continuar conversando.

Tribuna - O senhor acha que o prefeito ACM Neto vai ter fôlego para disputar o governo do Estado em 2018?
Zé Ronaldo -
Ele tem tudo. A juventude dele, a competência, a inteligência, o bom trabalho administrativo o qualifica para ser candidato a governador. Agora, a decisão é da pessoa. Para ser candidato, o cidadão tem que querer. Depois disso ele vai partir para buscar os apoios de outros partidos e da sociedade. Aí ele lança a sua plataforma e a sua luta. Acho que Neto sempre foi muito bem votado para deputado federal e prefeito, e faz uma belíssima administração. É só a vontade pessoal dele.

Tribuna - O senhor vai colocar o seu nome para 2018?
Zé Ronaldo -
Fui candidato a senador em 2010. Foi uma campanha dificílima, sem materiais totais, mas fizemos uma campanha digna, honrada. Conheço a Bahia toda, lideranças de todas as regiões, me acho em condições de exercer um cargo majoritário. Então, se eu puder disputar um pleito em 2018, não vou esconder, vindo uma candidatura, eu iria com simpatia. Mas não pode ser um desejo meu, não pode ser uma coisa única na minha cabeça. A vontade eu tenho, mas tenho que ter apoio de grupo, de políticos e da sociedade. Então, se esses apoios surgirem, eu não tenho nenhum receio de enfrentar uma luta. 


Tribuna - Que leitura faz do governo Rui Costa? Qual o principal erro e o principal acerto?
Zé Ronaldo -
Acho que a economia tem passado por imensas dificuldades. A Bahia tem um déficit de quase R$ 1 bilhão. Esse é um quadro que preocupa. Ele tem viajado muito pela Bahia, não fica no gabinete. Acho que viajar muito ajuda a governar, mantém o cidadão sabendo da administração. Mas houve em determinado momento uma presença melhor, hoje a presença é menor de obras acontecendo. Mas existe um momento da política nacional acontecendo. No momento que estamos vivendo, que não se sabe quem é um candidato à presidência da República, fica mais difícil ter um pensamento da política mais forte. Isso prejudica a administração pública, e isso tem que ser superado com muito trabalho.

Tribuna - A Operação Lava Jato atingiu o ex-presidente Lula e o PT. Depois pegou o PP e o PMDB. Agora o DEM e PSDB. Qual a sua avaliação?
Zé Ronaldo -
Essa Operação Lava Jato teve como carro-chefe a Petrobras, construções de hidrelétricas e estádios. Um político de oposição não tem acesso a governo. Ele não tem acesso a essas empresas. Que acesso tinha essa oposição tão pequena que tinha no Congresso Nacional? Acho isso um pouco estranho. Tenho o raciocínio que essas pessoas não tinham força nenhuma para interferir nesses processos. Mas foram abertos inquéritos contra mais de 200 pessoas. A abertura de inquérito também dá a oportunidade para as pessoas se defenderem, mostrarem a sua verdade. Mas acredito que com o passar do tempo as pessoas inocentes vão conseguir provar a sua inocência. Mas vale a sociedade tomar conhecimento. Aquele que não provar, aí é com a Justiça. Mas acho também que a política nacional passa por uma grande transformação. A Lava Jato vem dando ao longo desses anos uma forte contribuição à política nacional. Acho que ela vai conseguir mudar a mentalidade de muita gente que está na vida pública e pensa em obter benefício de ordem pessoal. Acho que isso vai ajudar e muito a fazer uma mudança na política, que quando as pessoas participarem da política a vejam como um patrimônio da sociedade.

Tribuna - É chegada a hora de se mudar a forma de fazer política no Brasil?
Zé Ronaldo -
Com certeza. Acho que o Brasil precisa de uma reforma política. Fazer uma reforma é complicadíssimo porque o político que está na Câmara, quando ele vai votar, pensa se vai se eleger com a reforma. Então fica difícil porque ele está pensando na própria sobrevivência. Mas é importante, assim como uma reforma tributária. Está sendo debatido na Câmara. Uma das coisas que têm acontecido é que o Congresso está debatendo todos os assuntos. Acho que Temer, apesar de tudo, está tendo coragem para tocar à frente assuntos polêmicos e impopulares.

Tribuna - As investigações da Lava Jato vão atingir o presidente Michel Temer?
Zé Ronaldo -
Sinceramente, acho muito difícil. Está faltando um ano e oito meses para acabar esse período governamental. Se você atinge o presidente nesse momento, as eleições ocorrem de maneira indireta no Congresso. Então acho complicado. Não sei se o país está preparado. Não seria bom para a política nem para a economia.
Colaborou: Guilherme Reis

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