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Joaci Góes

O desespero dos picaretas

Publicada em 16/03/2017 08:28:22

A atual paralisação de setores da economia brasileira é mais um lamentável desserviço à Nação praticado pelo nosso atrasado sindicalismo, com o apoio da carcomida e esclerosada auto-denominada esquerda nacional, inconformada com o seu fim melancólico e definitivo, em razão dos monumentais erros cometidos contra os postulados da decência e do progresso. 

Paralelamente a esse impatriótico movimento destinado a reconduzir o Brasil à mesma rota que levou a rica Venezuela a transformar-se num mendigo internacional, o País toma conhecimento, em termos ainda extra-oficiais, do que já sabia: centenas de políticos, integrantes dos poderes legislativo e executivo, chafurdando na lama funda do maior caso de corrupção do Planeta, em todas as épocas. O judiciário brasileiro, que também não é flor que se cheire, ainda continua salvaguardado, graças à recente elevação do seu prestígio, iniciado com o Mensalão e amplificado com a Operação Lava-jato que tem no juiz Sérgio Moro o seu símbolo máximo. A depuração, porém, de que necessitamos, para passar o País a limpo, não pode prescindir da expulsão dos quadros do judiciário de juízes venais que fazem da sagrada toga instrumento de satisfação de seus apetites menores.

 Em lugar de propor um debate, em campo aberto, sobre a validade das reformas em curso, propostas pelo Executivo, consideradas pelos segmentos mais esclarecidos da sociedade como urgentes e indispensáveis, os representantes das esquerdas no Congresso Nacional, por absoluta falta de argumentos, em parceria com os numerosos sindicatos que atentam contra os interesses dos trabalhadores, concitam a parcela da população, destituída dos conhecimentos mínimos para compreender o que se discute, a ir às ruas numa paralisação cujo resultado prático é o de elevar, ainda mais, os já estratosféricos níveis de desemprego. Para que se tenha uma pálida ideia do grau de ignorância da maioria do povo brasileiro, pesquisas revelam que nada menos do que 55% de nossa população alfabetizada não compreendem o que lêem. Pior ainda: o MEC constata que é também de aterrorizantes 55% o percentual de nossas crianças do ensino público fundamental que conclui a quinta série sem saber ler! O que significa dizer que, na sociedade do conhecimento em que estamos imersos, não é concebível tragédia maior. Sem valores morais em que se espelhar, como se infere da péssima qualidade dos que estão no poder, e sem acesso à instrução mínima para competir na sociedade do conhecimento, o Brasil continuará sendo o País do Futuro, conforme expressão cunhada por Stefan Zweig, ao tempo de Getúlio Vargas.

 Assoberbada pela sucessão de escândalos, corrupção e impunidade, a atenção da sociedade brasileira agora se volta para acompanhar o desfecho da momentosa delação de 78 executivos da Odebrecht, que alcança gregos e troianos, como todo mundo presumia. É verdade que este desfecho era previsível, desde quando se instituiu um sistema permissivo e potencialmente venal do financiamento das campanhas eleitorais, em todos os níveis. Algo assim como exigir pureza de meninas cândidas hospedadas em prostíbulos, e participando das álacres noitadas. O interessante é que pessoas sérias continuam a especular sobre como será o financiamento das eleições, doravante, como se não fosse possível fazer campanha, a partir da força das propostas, e com o financiamento, exclusivo, dos membros partidários, respeitados limites máximos.

 Com grande parte dos acusados respondendo em foro privilegiado, o STF enfrenta o desafio de não se deixar desmoralizar de vez, aos olhos da sociedade, tendo em vista erros flagrantes na definição de suas responsabilidades, conducentes, dentre outros males, à sua paquidérmica mobilidade. É imperioso robustecer sua infra-estrutura de apoio técnico e logístico, em grau compatível com a necessidade de dar velocidade aos julgamentos. Caso contrário, será considerado conivente, por omissão, pela impunidade decorrente. 

Como sugestão, ficta, eu sei, apesar de pragmática e eficaz, o Congresso Brasileiro, em lugar de perseguir uma inaceitável anistia geral, na calada das madrugadas, poderia criar uma lei que restringisse a punição, aos réus confessos, à devolução de todos os recursos ilicitamente auferidos, acompanhada de proibição, pro-vita, do exercício de função pública, e cumprimento de prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica! A legislação atual seria aplicada aos santos-do-pau-oco que se auto-proclamam inocentes, uma vez considerados culpados.

 Enquanto isso, pelo amor de Deus, não me ofendam a inteligência com esta história idiota de que a continuidade da Operação Lava-jato emperra o crescimento do Brasil, onde mais de duzentos milhões de habitantes vêm sendo usados como massa de manobra para a satisfação de interesses espúrios e ferozes de empresários e de políticos que não são dignos desses nomes.  

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