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Economia

Vaquejadas rendem R$ 600 milhões e movimento cresce cerca de 20% ao ano

Originárias do nordeste elas se espalham por todo o país

Publicada em 06/05/2016 21:56:00
Foto: Tatiana Azeviche
A Vaquejada de Serrinha, na Bahia, é uma das maiores do Nordeste
A Vaquejada de Serrinha, na Bahia, é uma das maiores do Nordeste

No nordeste a vaquejada é esporte tradicional, só perde para o futebol. Lota arenas, dá prêmios milionários, movimenta cifras expressivas em leilões, gera milhares de empregos e ainda incentiva o mercado de melhoramento genético das raças.

São 3 milhões de adeptos dessa prática esportiva, por ano são mais de 4 mil provas, um movimento econômico de R$ 600 milhões - de acordo com a Associação Brasileira de Vaquejadas (ABVAQ), e ainda cresce 20% ao ano.

Mesmo em tempos de crise, os eventos não param, são até 10 por fim de semana, os vaqueiros estão de olho nos prêmios, que vão de motos a R$ 300 mil a cada prova, que dura normalmente 3 dias.

É evento profissional que reúne empresas, criadores de cavalo – especialmente do quarto de milha, e empresários. Brilham vaqueiros, cavalos, boi, e muitos sertanejos vivem destas vaquejadas, trabalho que muitas vezes envolve toda a família. São 700 mil pessoas trabalhando direta e indiretamente.

O esporte da vaquejada não tem fronteiras, e com cifras tão expressivas ganhou outras arenas além do nordeste, estando também no norte, e chegando no sudeste, especialmente no interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

O empresário e criador Jonatas Dantas está há 30 anos neste mercado, saiu do sertão da Paraíba para o Rio de Janeiro e é grande empreendedor da raça.

Proprietário do Roxão, um dos principais garanhões da raça na modalidade vaquejada,  e agora doador de genética da vaquejada, ele faturou só com coberturas deste animal R$ 20 milhões, em 700 filhos vendidos. E não para de investir, tem outros 3 garanhões americanos e mantém qualidade top nos leilões onde no só no passado faturou em 2 deles, mais de R$10mi. “Esse é um mercado que não muda, nem mesmo com crise, o que é bom, todo mundo busca. Temos tradição em animais selecionados para vaquejada, corridas e tambor”- diz ele.

A cada evento de vaquejada tem uma média de 550 duplas de vaqueiros, cada um gasta 1.100 reais em inscrições. Negócio rentável para o trabalhador, para o vaqueiro, mas para toda a indústria da vaquejada.

No entorno da pista vende-se roupas, calçados, artesanato e cds. Para garantir animais geneticamente preparados existem investimentos ainda maiores, adquirir um animal de qualidade passa obrigatoriamente por leilões onde estão as principais linhagens vitoriosas para vaquejadas, especialmente de quarto de milha, são quase 180 remates específicos da área no ano, três leiloeiras especializadas.

Em 2015 foram vendidos 6 mil animais, arrecadando R$ 264mi. Para o leiloeiro Anibal Ferreira, principal nome nos remates de vaquejadas, a explicação pra o resultado está na busca de qualidade e melhoria nos rendimentos. “Os criadores querem a cada dia melhorar ainda mais o desempenho nas pistas, só nesta temporada as premiações vão ultrapassar os R$ 5 mi, e tem resultado que só a genética garante” – diz ele.

Para o economista da Esalq Usp, Roberto Arruda Souza Lima, o mercado sai de uma época de euforia e entra na maturidade “apesar de todo movimento econômico o mercado está bem melhor do que se previa, foram feitos ajustes, cortes nas gorduras e se manteve, ainda são muitas e boas oportunidades a curto prazo, tanto para vaquejada, quanto para o quarto de milha” – constata.

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