TRÂNSITO AO VIVO
quinta-feira, 29 de junho de 2017
FIQUE SABENDO AGORA
PUBLICIDADE
Segurança

Módulos e viaturas são metralhados na cidade

por
Silvana Blesa
Publicada em 08/09/2009 11:44:06
O dia da Independência foi marcado por violência na capital baiana. Ações de grupos criminosos no início da manhã de ontem, deixou quatro módulos metralhados, - nos bairros do Uruguai, Ribeira, Estação Pirajá e Estação Mussurunga -, duas viaturas crivadas de tiros, além de três PMs feridos e três bandidos mortos. O ataque dos marginais segundo a polícia, foi comandado pelo presidiário Val Bandeira, que se encontra detido na Unidade Especial Disciplinar (UED) do Presídio Salvador, em represália a transferência do traficante Cláudio Eduardo Campanha, transferido na última quinta-feira para o Presídio de Segurança Federal em Mato Grosso do Sul, na cidade de Campo Grande. Os agentes reforçaram que vários avisos foram enviados à polícia, salientando que se Campanha fosse transferido, iriam acontecer ataques aos módulos e viaturas. ?Não levamos a sério, devido as várias ameaças que chegam à polícia todos os dias e não são concretizadas?, disse o tenente Wladmir, da 48 CIPM (Estação Pirajá), onde ocorreu um dos ataques.

Nos quatro módulos que foram metralhados, só havia dois agentes trabalhando no plantão que por pouco, não foram mortos pelos marginais. Nos ataques, os bandidos se dividiram em grupos e usando carros modelos EcoSport, Siena, Pálio e Fiesta, aterrorizaram com armas de grosso calibre, deixando a polícia em alerta. O primeiro deles aconteceu por volta das 4h50 de ontem no bairro do Uruguai, situado na Rua Boa Vista. O sargento Flávio Caetano Boa Morte, estava sentado dentro do módulo conversando com outro policial, quando os veículos modelos Fiesta e Pálio na cor prata e preto com cerca de dez homens fortemente armados, desceram dos veículos empurraram as janelas do módulo e jogaram dois coquetéis molotov, que tem efeito explosivo.

De imediato, causou um incêndio no local, e em seguida, os bandidos começaram a atirar contra os dois agentes. Caetano não teve chance de escapar e foi baleado no braço e barriga. Já o colega dele, conseguiu se esconder e não foi atingido. Caetano foi levado para o Hospital PAM de Roma e transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas segundo informações dos colegas, não corre risco de morte. Os marginais, usando bonés para dificultar as identificações, saíram dando rajadas de tiros calibre P. 40, 380 e escopeta, demonstrando o poder de fogo e ousadia.

Outros grupos de marginais deslocaram por volta das 5 horas para atacar o módulo situado no Largo da Ribeira. Conhecido como um bairro tranquilo, sem muitas ocorrências criminais, os moradores ficaram chocados ao serem acordados com as rajadas dos tiros.

O soldado Nei e o sargento Dias, trabalhavam no módulo quando foram obrigados a se jogar no chão para se proteger dos disparos. Cerca de dez homens divididos nos carros Siena, Corsa e EcoSport cercaram o módulo que ficou totalmente destruído. Duas moradoras de rua que buscavam abrigo nas proximidades do módulo, foram atingidas de raspão. ?Eu pensei que se estivesse próximo ao módulo, estaria protegida?, disse a moradora de rua mostrando a saia rasgada com um tiro de raspão que atingiu as nádegas. A amiga dela, grávida de oito meses, contou que os marginais gritaram para não correr, e ela foi atingida com um tiro de raspão no pé.

Policiais cercados por bandidos fortemente armados

O soldado Dias suspirou aliviado ao olhar o que restou do módulo. Mais de trinta tiros foram disparados no estabelecimento. ?Nasci de novo. Foi muito rápido, só deu tempo de nos protegermos. Ainda efetuamos disparos, mas eles tinham cercado o módulo, e graças a Deus, não fomos feridos?, desabafou o sargento. Em frente ao módulo, na porta de ferro de um estabelecimento comercial também havia uma marca de tiro.

Era 5h45 quando os marginais chegaram ao módulo da Estação Pirajá e efetuaram mais de 30 disparos. Os policiais Uelington Barbosa dos Santos e Israel Conrado Araújo estavam no plantão e foram baleados. Uelinton foi atingido de raspão na cabeça e Conrado foi ferido nas duas pernas. Os dois foram socorridos para a emergência do Hospital Roberto Santos, mas não correm risco de morte. O soldado Conrado apresentou hemorragia, mas teve atendimento imediato e se encontra fora de risco.

No módulo da Estação Mussurunga, os marginais metralharam uma viatura da Polícia Militar que se encontrava parada em frente da unidade. O pneu foi furado com tiros para impossibilitar que os agentes fizessem diligência. Até o posto do Grupo Especial de Repressão a Furtos e Roubos à Coletivos (GERRC), inaugurado em julho desse ano foi metralhado. Mas somente no módulo da PM se encontravam dois agentes, que conseguiram se esconder.

Perseguição e morte na Paralela

Em fuga na Avenida Paralela, três homens no carro modelo Fiesta de placa JPS-2097, ao passar pela guarnição da Companhia de Ações Especiais do Litoral Norte (CAEL) atiraram na viatura, havendo perseguição e troca de tiros nas imediações do Hiper Posto na Avenida ACM. Durante o confronto foram alvejados Jeferson Oliveira Santos, Danilo dos Santos Souza e um terceiro sem identificação, que ainda foram encaminhados para o HGE, mas já deram entrada sem sinais vitais. No carro foram encontradas munições de diversos calibres, uma touca preta, dois revólveres calibre 38, uma pistola 380, e dois celulares.

Secretário promete partir para cima do tráfico

O secretário de Segurança Pública César Nunes, informou que não descarta a possibilidade de que os ataques aos módulos estejam ligados à transferência do traficante Cláudio Campanha, para um presídio de segurança máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. ?Os bandidos estão implantando ações de terrorismo em nossa cidade. Eles estão revoltados por que a polícia está combatendo o tráfico. Vamos partir para cima. Estamos com uma equipe de inteligência nas ruas?, pontuou o secretário. Após as ações dos bandidos, o comando da Polícia Militar reforçou o policiamento nas ruas de Salvador na noite de ontem. De acordo com o capitão da Polícia Militar Marcelo Pitta, o objetivo é coibir ações de vandalismo e possíveis atentados contra guarnições da polícia. Varias viaturas realizaram diligências e rondas em algumas localidades da cidade. ?Algumas unidades da Região Metropolitana foram remanejada para realizar as ações nos bairros. Nossa missão é proteger a sociedade dos bandidos?, disse Pitta.

Alguns policiais contaram que estavam apreensivos com as constantes ameaças e reclamaram que o fato era do conhecimento do comando, mas nenhuma medida teria sido tomada. ?Uma carta chegou até o módulo da Ribeira, onde dizia que nos próximos quatro dias iria acontecer um atentado. Como pode dois policiais sem armamento suficiente, trocar tiros com marginais fortemente armados?,? questionou um agente. O tenente Wladmir da 48ª CIPM de Pirajá, disse que também soube por meio anônimo que possivelmente iria ocorrer um ataque ao módulo, ?mas como sempre chega ameaças e não são cumpridas, achei que também não fosse acontecer?.

SIGA O LEIAMAIS
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
EDIÇÃO ONLINE
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE